União Europeia Aumenta Importações de Fertilizantes Russos, Retornando a Dependência Após Reduções Significativas nos Últimos Dois Anos

Entretanto, os dados de 2024 revelam que a dependência da UE em relação aos fertilizantes russos aumentou consideravelmente. As importações subiram abruptamente em 25%, resultando na compra de 4,93 milhões de toneladas. Este volume se aproxima dos números de 2021, quando foram importadas 5,37 milhões de toneladas. Além disso, a participação dos fertilizantes russos nas importações totais aumentou de 23,5% em 2022 e 2023 para 27,4% em 2024.
Um dos principais fatores que levaram a essa mudança de comportamento automático é o aumento dos preços do gás, impactando diretamente a produção local de fertilizantes na Europa. Muitas empresas do setor, pressionadas por custos elevados, reduziram suas operações drasticamente, com uma produção em 2023 que caiu para um terço dos níveis de 2021, antes da imposição das sanções.
Surpreendentemente, mesmo com essa queda significativa na produção interna, as importações de fertilizantes na UE permaneceram relativamente estáveis. Em 2024, as compras totalizaram 18 milhões de toneladas, ligeiramente acima da média de três anos anterior, que se situava em 17,5 milhões. Essa estabilidade nas importações ocorre em um contexto de diminuição do número de fazendas na região, que caiu de 10,5 milhões em 2016 para 9,1 milhões em 2020, refletindo uma mudança estrutural na agricultura europeia.
Diante desse cenário, a União Europeia enfrenta um dilema complicado: equilibrar a necessidade de fertilizantes para garantir a produção agrícola enquanto lida com as consequências econômicas das sanções e a pressão sobre sua própria indústria de fertilizantes. Essa complexa interdependência entre políticas externas e necessidades internas torna o futuro das relações comerciais da UE com a Rússia uma questão delicada e repleta de nuances.
