A Associação AME vem acompanhando um grupo de 21 mulheres que relatam serem vítimas de supostos erros médicos e falta de assistência por parte de um cirurgião plástico de Maceió. As pacientes alegam negligência por parte do médico. Em um dos casos, uma delas teria sofrido uma necrose na mama esquerda.

As vítimas fizeram um grupo para compartilhar seus relatos e decidiram expor os casos nas redes sociais. A advogada Julia Nunes, que acompanha as mulheres, conta que o grupo já conta com 21 pessoas. De acordo com a advogada, as vítimas estão se mobilizando para formalizar as denúncias e há outros casos que estão na Justiça há mais de três anos, envolvendo o mesmo cirurgião.
Dentre as denúncias, constam relatos de cicatrizes que inflamaram e necrosaram, assimetria nas mamas e até pontos que abriram. As vítimas contam que, mesmo nos casos em que foram feitas cirurgias de reparação, as situações supostamente pioraram.
Uma das vítimas conta que realizou uma cirurgia de implante de silicone há 10 anos com o médico. Após o implante, a vítima relata que passou a sentir vários sintomas. “Após a colocação das próteses, comecei a sentir vários sintomas, mas nunca associei ao silicone. Acabei adquirindo a ‘doença do silicone’ (síndrome de Ásia), uma doença autoimune. Procurei o médico, relatei, ele não acreditou, mas fiz o explante com ele em novembro de 2021. Após o explante, tive várias sequelas, inclusive com risco de morte. Hoje estou bem, mas descobri que ele mentiu, não fez o explante em Bloco (próteses + cápsulas)”, explicou ela.
A vítima reforça ainda que tentou entrar em contato com o médico para falar sobre o explante. “Passei meses cobrando a biópsia das cápsulas e ele me enrolando, até que fui no hospital em que realizei o procedimento e vi todo o relatório da cirurgia. Ele não retirou.”
Outra vítima relata que chegou ao médico depois de ver o nome do cirurgião como uma referência na área. “Cheguei até o médico em 2016 pela mídia, ele sempre aparecia em revistas. Eu tinha 18 anos na época e deixei por conta dele o tamanho das próteses. Após a cirurgia, com menos de uma semana, minha cicatriz começou a abrir, meus seios ficaram em carne viva. Quando fui na consulta, ele disse que nunca tinha acontecido isso e sugeriu que o erro teria sido meu, falou que eu dormi por cima do peito e foi por isso que estava daquele jeito. Ele pediu pra confiar nele e refizemos a cirurgia no mesmo hospital e, mais uma vez, com a ferida inflamada, só piorou o quadro”, frisou ela.
A Associação está colhendo todos os relatos das vítimas e pretende acionar a Polícia Civil ainda hoje, a partir da instauração do inquérito policial.
A reportagem entrou em contato com o advogado do consultório do médico, mas, até a publicação da matéria, ele preferiu não se pronunciar.






