Varal de luzes provocou choque que matou mãe e filho em Maragogi, diz Polícia Científica

Por Gazetaweb

A Polícia Científica concluiu que uma instalação elétrica irregular, conhecida como “varal de luzes”, foi a causa da morte por choque elétrico de Luciana Klein Helfstein, de 39 anos, e de seu filho Arthur Klein Helfstein Alves, de 11, em uma piscina de hotel no município de Maragogi, ocorrida em janeiro deste ano. O laudo pericial foi finalizado pelo Instituto de Criminalística (IC) de Maceió e encaminhado à Polícia Civil (PC) nesta sexta-feira (5).

De acordo com o exame técnico, a estrutura de iluminação decorativa instalada no entorno da piscina apresentava diversas irregularidades e infringia normas de segurança da ABNT NBR 5410 (2004). A falha provocou a energização acidental da estrutura metálica do guarda-corpo, resultando em um potencial elétrico de aproximadamente 220 volts.

A hipótese de morte por choque elétrico já havia sido levantada nos primeiros levantamentos realizados pelo perito criminal José Veras, logo após o acidente ocorrido no dia 4 de janeiro. Na ocasião, mãe e filho foram encontrados desacordados dentro da piscina e encaminhados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região, onde os óbitos foram confirmados.

Durante a investigação, a área da piscina foi isolada e imagens do circuito interno de segurança foram analisadas. O perito José Veras retornou ao local acompanhado do perito criminal Diozênio Monteiro, especialista em engenharia elétrica, para exames complementares na estrutura.

Segundo o laudo, o conector tipo plugue macho do varal de luzes estava em contato direto com a estrutura metálica do guarda-corpo, o que provocou a condução de corrente elétrica por toda a peça. Por se tratar de uma área molhada, com presença constante de água, o ambiente foi classificado como de alta criticidade, aumentando significativamente o risco de choques fatais.

“O local apresentava uma condição extremamente perigosa. Pessoas molhadas ou descalças ficam mais suscetíveis à passagem de corrente elétrica, o que configura risco iminente de morte”, explicou o perito Diozênio Monteiro no laudo.

A perícia também conseguiu reconstituir a dinâmica do acidente. Conforme José Veras, o menino se apoiou na estrutura metálica e recebeu a primeira descarga elétrica. Ao perceber o filho imóvel, a mãe tentou socorrê-lo, tocou na mesma estrutura e também foi eletrocutada. Em seguida, ambos afundaram na piscina.

O Instituto de Medicina Legal (IML) Estácio de Lima, em Maceió, já havia confirmado no dia 6 de janeiro que as mortes ocorreram por eletroplessão, descartando a hipótese inicial de afogamento. Os exames cadavéricos identificaram sinais inequívocos da passagem de corrente elétrica pelos corpos.

Todo o material técnico produzido pelo Instituto de Criminalística e pelo Instituto Médico Legal foi encaminhado à Polícia Civil, que dará continuidade às investigações para apurar responsabilidades.