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Educação

Servidor público: histórias de quem dedicou a carreira à educação alagoana

Por Ascom Seduc Publicado em • Leitura: 6 min

A história da educação pública é construída diariamente por pessoas que dedicam suas vidas ao ensino, à gestão escolar e ao trabalho que mantém a rede estadual em funcionamento. Neste Dia do Servidor Público, celebrado em 28 de outubro, a Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (Seduc) homenageia profissionais que fizeram da educação parte de suas trajetórias e encontraram no serviço público uma forma de contribuir para a sociedade.

Entre esses servidores estão Zezito de Araújo, Maria do Socorro de Lima Melo, Maria de Fátima Cavalcante e Maria de Lourdes da Silva Torres. Com experiências que atravessam diferentes gerações e setores da Seduc, eles compartilham histórias marcadas pela responsabilidade, pelo aprendizado e pela dedicação ao serviço público.

Transformação pela educação

Professor de formação e graduado em História pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Zezito de Araújo, 74 anos, ingressou no serviço público estadual em maio de 1980. Após iniciar sua trajetória em sala de aula, em São Miguel dos Campos, e atuar por quase três décadas como professor universitário, retornou à rede estadual em 2011.

Atualmente, trabalha na Gerência Especial de Diversidades, Educação Inclusiva e Meio Ambiente, da Superintendência de Desenvolvimento da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Políticas Educacionais da Seduc, com ações voltadas à educação para as relações étnico-raciais e quilombola.

Para ele, tornar-se servidor público representou a realização de um sonho pessoal e profissional. De origem humilde, filho de trabalhadores rurais do município de São Luís do Quitunde, Zezito encontrou na educação um caminho para desenvolver seus projetos e colocar em prática as experiências adquiridas ao longo da vida.

“Foi no serviço público que me descobri enquanto pessoa negra”, afirma. Para o professor, essa percepção foi importante para ampliar seu olhar sobre a educação e sobre as desigualdades presentes na sociedade. Hoje, o que mais o emociona é poder trabalhar com aquilo em que acredita.

Ao retornar à rede estadual, encontrou a oportunidade de desenvolver ações que valorizam a diversidade desde a educação básica. “Para mim, a maior emoção que tenho é isso. É trabalhar aquilo que você acredita, que você gosta, que você acredita que pode transformar o cidadão e a cidadã”, diz.

Quando fala sobre o orgulho de ser servidor, Zezito recorre ao conceito africano de ubuntu, que expressa a interdependência entre as pessoas. “Eu sou porque nós somos. Quer dizer, ninguém se cria por si só. Nós somos resultado de interação com os outros”, explica.

É nessa relação com estudantes e profissionais da educação que ele encontra sentido para continuar contribuindo com a rede estadual. Aos que estão começando a carreira, deixa uma mensagem: “Eu digo que ele acredite no serviço público. Porque a melhor forma de você tornar uma sociedade que possibilita oportunidades a todos com respeito à diferença é no serviço público”.

Orgulho do olhar atento

A pedagoga Maria do Socorro de Lima Melo, 67, também iniciou sua trajetória na rede estadual em 1980, após ser aprovada em concurso público. Sua primeira experiência foi como professora das séries iniciais na Escola Estadual Juvenal Lopes Ferreira de Omena, em Branquinha. Posteriormente, passou a atuar como orientadora educacional, função em que acompanhava estudantes e mantinha contato direto com as famílias.

Entre as lembranças que guarda desse período, uma permanece especialmente viva: a história de um aluno de apenas sete anos que costumava cantar durante as aulas e dormir no período da tarde. Ao conversar com o menino, Maria do Socorro descobriu que ele passava parte da madrugada trabalhando com a mãe em um bar.

A história mudou sua compreensão sobre o estudante e mostrou como as circunstâncias familiares e sociais podem influenciar o comportamento e a aprendizagem. “Eu deixei carinho, eu deixei amor, eu deixei muita compreensão”, afirma, ao falar sobre o que espera ter deixado nas pessoas que passaram por sua trajetória.

Há cerca de 25 anos, Maria do Socorro integra a Comissão de Processo Administrativo Disciplinar da Seduc, onde atua na apuração de irregularidades relacionadas ao serviço público. A mudança de função também trouxe novos desafios, especialmente no atendimento aos servidores que procuram a comissão.

Ao olhar para sua trajetória, destaca a responsabilidade como um dos valores que orientam sua atuação. Para os profissionais que estão começando, deixa uma mensagem simples. “Façam com amor, com paciência, com responsabilidade e façam com amor porque você está fazendo para alguém, para outro”.

Satisfação em construir uma escola para a comunidade

Com 48 anos de atuação no Estado, a professora e gestora Maria de Fátima Cavalcante, 70, construiu uma trajetória marcada pela liderança escolar e pela busca por melhores condições de ensino. Ingressou na rede estadual em 1978, na antiga Escola Sete de Setembro, hoje a Escola Estadual Profª. Guiomar de Almeida, no bairro da Ponta Grossa, em Maceió e, desde então, passou por diferentes funções e unidades de ensino.

Ao longo da carreira, esteve à frente de escolas em que participou de reformas, da ampliação de espaços e de iniciativas para aproximar as instituições das comunidades. Uma de suas experiências mais marcantes foi a atuação no antigo Grupo Escolar Presidente Kennedy, construído em 1964 com recursos dos Estados Unidos via Aliança para o Progresso. A unidade teve seu nome alterado em 23 de agosto de 2001 para Escola Estadual Professora Aurelina Palmeira de Melo,  onde Maria de Fátima trabalhou durante 18 anos e acompanhou mudanças importantes na estrutura e na organização escolar.

Para a gestora, o resultado do trabalho não deve ser medido apenas pelo cargo ocupado, mas pelo que fica para os estudantes e para as famílias. A confiança da comunidade escolar e o desenvolvimento dos alunos são, segundo ela, motivos de orgulho.

Mesmo após tantos anos de serviço público, sua identificação com a rotina escolar permanece. “Eu me realizo no chão da escola”, afirma. Ao ser questionada sobre o significado de ser servidora da educação de Alagoas, responde sem hesitar. “Para mim, o que significa é um orgulho. Eu adoro ser servidora pública, porque eu me realizo mesmo”.

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