Pilar: 11 casas, quadra de esportes e posto de saúde são detectadas com rachaduras

Por G1 Alagoas

O Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) iniciou a vistoria nos imóveis com rachaduras na cidade de Pilar, na região metropolitana de Maceió, nesta terça-feira (9). Rachaduras surgiram em casas, no prédio de um posto de saúde e em uma quadra de esportes que estavam em construção.

A cidade do Pilar fica a 34 km de distância de Maceió, onde o Serviço Geológico do Brasil concluiu que a causa para o surgimento das rachaduras nos bairros do Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto é a mineração da Braskem. 

Com medo, moradores de duas casas no bairro Padre Cícero deixaram o local. O pescador José Ronaldo de Melo contou que as rachaduras surgiram na casa dele no dia 2 de agosto. “3h30 da manhã. Começou trincando, trincando e foi abrindo. Quando a gente viu, as paredes estavam laxando”, disse.

Quando se deu conta do risco, o pescador saiu de casa com a esposa e os dois filhos. Agora, a família depende do aluguel social pago pela Prefeitura de Pilar.

Segundo o assessor técnico da Defesa Civil de Pilar, as fissuras surgiram em 11 casas. O órgão ainda avalia se todos os imóveis precisaram ser desocupados. “Vai depender da evolução do evento. A gente precisa acompanhar a evolução do evento todo dia para que a gente possa tomar uma decisão”, explicou.

Um posto de saúde que também fica no bairro Padre Cícero foi interditado. Rachaduras surgiram nas laterais do prédio. O atendimento teve que ser transferido para outras unidades de saúde.

Um dos locais na cidade com rachaduras mais visíveis é uma quadra de esportes que estava sendo construída. Segundo o engenheiro civil da prefeitura, Marco Aleluia, as fissuras surgiram no local há um mês.

Foto: Reprodução/TV Gazeta

“Começou há aproximadamente um mês e o processo acelerou na semana passada. Essa quadra e o posto de saúde foram evacuados pela gravidade da situação”, disse.

O geólogo e pesquisador do Serviço Geológico do Brasil, Gilmar Dias, fez uma vistoria em vários pontos da cidade afetados pelas rachaduras. A análise deve apontar a causa do surgimento das rachaduras e recomendações para solucionar o problema.

“Tudo é muito preliminar. Primeiro, eu estou coletando os dados. A gente precisa saber o que foi atingido, qual é a dimensão. A gente vai analisar esses dados com o contexto do terreno. Daqui a uma semana o relatório deve estar pronto”, disse o pesquisador.

O Rio Paraíba do Meio, desagua na lagoa de Manguaba, que por sua vez escoa de forma restrita para o mar. Em situações de chuvas intensas à montante do Rio, o volume de água desaguado aumenta significantemente, e como no caso, conjugado com a maré alta de sizígia, ocasionou a elevação do nível da lagoa, atingindo a sede municipal e imediações.