AQUIAGRA
Alagoas
Publicidade
Blogs

O vexame dos palpiteiros: mudou o voto ou eles não perceberam que o eleitor mudou?

Por Blog Wadson rEGIS Publicado em • Leitura: 3 min

O resultado das eleições em Alagoas deixou uma série de lições, que merece reflexão. Uma delas foi o vexame dos palpiteiros e dos que se apresentam como analistas do voto. Erraram muito. Erraram nas previsões, erraram na leitura dos movimentos políticos, erraram na interpretação do comportamento do eleitor e, principalmente, erraram porque tentaram compreender uma eleição nova utilizando ferramentas mentais antigas. Para mim, esta eleição deixou uma mensagem muito clara: não mudou apenas o voto. Mudou o caminho até o voto.

Quem apostou exclusivamente na força da estrutura, errou. Quem acreditou que o velho modus operandi continuaria produzindo os mesmos resultados, errou. Quem transformou o enfrentamento direto e permanente ao adversário em estratégia central, errou. E quem imaginou que os meios tradicionais de comunicação continuariam suficientes para definir sozinhos a narrativa eleitoral também errou. Pelo simples motivo: o principal instrumento de comunicação política hoje cabe na palma da mão.

Debates continuam fundamentais. Pesquisas são indispensáveis. Rádio, televisão, portais e imprensa profissional permanecem relevantes. O erro está em imaginar que qualquer um desses instrumentos, isoladamente, controla a formação da opinião pública. Não controla mais.

A eleição mostrou que não basta possuir estrutura. É preciso saber comunicar. Não basta ocupar espaços. É necessário produzir identificação. Não basta repetir uma mensagem. É preciso fazê-la chegar ao público certo, no momento adequado e na linguagem que aquele eleitor compreende. E Alagoas apresentou, na minha leitura, um elemento ainda mais importante: o espectro da mudança atravessou a eleição.

Errou feio nos palpites e no posicionamento quem decidiu agir como oposição quando deveria agir como profissional. Jornalista não é cabo eleitoral disfarçado. Analista não deveria adaptar interpretação ao candidato que prefere. Instituto de pesquisa não deveria existir para produzir manchete conveniente. Comunicação política não pode continuar sendo pensada como se o eleitor permanecesse passivamente esperando que alguém lhe diga em quem votar.

Aos candidatos que não perceberam a modernidade da comunicação, resta atualizar métodos. Aos profissionais que erraram suas análises, cabe estudar os motivos. 

A urna continua sendo o lugar onde o voto termina. Mas, cada vez mais, é na palma da mão que ele começa. E não no que falam os palpiteiros.

Publicidade