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Alagoas
Cidades

MPAL denuncia policial civil por duplo homicídio de colegas dentro de viatura

Por Ascom MPAL Atualizado há • Leitura: 3 min
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O Ministério Público de Alagoas (MPAL) denunciou o policial civil Gildate Goes Moraes Sobrinho pelo assassinato dos colegas de equipe Denivaldo Jardel Lira Moraes e Yago Gomes Pereira, mortos na madrugada de 20 de maio de 2026, dentro de uma viatura da Polícia Civil, em Delmiro Gouveia. A denúncia foi apresentada nesta quinta-feira, 25,  pela 1ª Promotoria de Justiça de Delmiro Gouveia, sob a responsabilidade do promotor de Justiça Dênis Guimarães de Oliveira.

Segundo o MP, o acusado utilizou uma pistola Glock calibre .40 pertencente à corporação para matar os dois policiais e deve responder por dois homicídios qualificados, praticados mediante recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa das vítimas.

Na denúncia, o Ministério Público afirma que “os elementos fáticos e periciais reunidos nos autos revelam que o crime foi executado de forma traiçoeira, covarde e de surpresa”. De acordo com o promotor, os laudos balístico e cadavérico demonstram que não houve luta corporal e que o denunciado se aproveitou da posição de vantagem dentro da viatura para executar os colegas.

Ainda conforme a acusação, Denivaldo foi atingido pelas costas, com um disparo na nuca, morrendo instantaneamente. Já Yago, que conduzia o veículo, teria reagido apenas de forma instintiva, levantando a mão para tentar se proteger antes de ser baleado na região da têmpora direita. O Ministério Público sustenta que a viatura só parou após o motorista ser atingido pelos disparos, afastando a hipótese de que o crime tenha ocorrido com o veículo já estacionado.

A denúncia também destaca que exames de alcoolemia apontaram índices de 2,1 g/L e 2,3 g/L de álcool no sangue das vítimas, circunstância que, segundo o MP, reduziu significativamente a capacidade de reação dos dois policiais. O órgão ressalta, entretanto, que a ingestão de bebida alcoólica pelo denunciado não afasta sua responsabilidade penal.

Para o promotor Dênis Guimarães de Oliveira, as provas indicam que o policial tinha plena consciência de seus atos. Segundo a denúncia, após os homicídios, ele caminhou pelas ruas com a arma em punho, escondendo-a apenas quando encontrava outras pessoas e, ao chegar à residência da companheira, guardou a pistola sobre um guarda-roupa, comportamento interpretado pelo MP como demonstração de que previa a chegada das autoridades.

O Ministério Público também afirma que não foram encontrados elementos que indiquem histórico de transtornos psiquiátricos ou tratamento em saúde mental por parte do acusado. Assim, a alegada desorientação apresentada em depoimento seria decorrente exclusivamente do consumo excessivo de álcool, não sendo suficiente para afastar a imputabilidade penal ou justificar redução de pena.

Além de requerer que o policial seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri da Comarca de Delmiro Gouveia, o MP solicitou a realização de diligências complementares para aprofundar a investigação sobre a motivação do crime. Entre os pedidos estão a juntada das mídias extraídas de dados telemáticos utilizados na perícia e a quebra do sigilo bancário e financeiro do denunciado, abrangendo os três meses anteriores ao crime e o mês seguinte, para verificar eventual movimentação financeira que possa indicar motivação econômica para o duplo homicídio.

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