Jornalista exige provas após ser acusado por advogado de JHC de integrar “milícia digital
O clima da disputa pelo Governo de Alagoas atingiu um novo patamar de fervura na manhã desta sexta-feira, 4 de setembro. No centro do debate público estão os duros confrontos entre a candidatura do ex-prefeito de Maceió, JHC, a imprensa local e seus adversários políticos. O estopim mais recente envolve declarações em sabatinas, questionamentos sobre conduta jornalística e o uso frequente do Poder Judiciário contra profissionais de comunicação no estado.
Durante sabatina realizada na TV Gazeta, o candidato ao governo Renan Filho (MDB) teceu duras críticas à postura de JHC frente à imprensa alagoana. O adversário acusou o ex-prefeito de adotar uma atitude intimidatória e centralizadora em relação aos veículos de comunicação e jornalistas do Estado.
Renan Filho destacou que JHC tem evitado sabatinas abertas, conceder entrevistas a jornalistas críticos e participar de debates presenciais. O adversário acusou o grupo político de JHC de impetrar uma onda de ações judiciais para censurar matérias, derrubar reportagens de portais de notícias e impor sanções financeiras pesadas a repórteres. Segundo o senador, as investidas jurídicas configuram uma tentativa de calar denúncias e conter revelações sobre os atos do ex-gestor à frente da Prefeitura de Maceió.
O Caso Wadson Correia: “Milícia Digital” vs. Fiscalização do Poder
Paralelamente às declarações de Renan Filho, o jornalista investigativo Wadson Correia tornou pública uma contundente reação contra o advogado da campanha de JHC, Felipe Lins. O embate começou após o jornalista ter seu nome associado pelo jurista à expressão “milícia digital”.
O conflito envolve uma reportagem investigativa veiculada por Wadson sobre a trágica morte de um bebê na recepção do Hospital da Cidade, equipamento gerido pela Prefeitura de Maceió. O jornalista contesta a narrativa de ataques pessoais e esclarece os fatos:
Wadson reafirmou que jamais atribuiu a JHC a responsabilidade individual pelo óbito do recém-nascido, mas que questionou o padrão de atendimento da unidade e o uso da saúde pública como vitrine eleitoral. O repórter negou integrar qualquer estrutura orquestrada de “milícia digital” e cobrou publicamente a apresentação de provas concretas que sustentem a grave acusação. O jornalista levantou a suspeita de que o escritório jurídico esteja praticando litígio ostensivo e massivo para intimidar a imprensa, cerceando a cobertura independente no Estado.
Representação na OAB e os Limites do Direito de Defesa
Em virtude do ataque à sua honra e reputação profissional, Wadson Correia anunciou que exigiu retratação pública do advogado Felipe Lins e acionou formalmente a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para apurar os fatos sob a ótica ética.
A disputa expõe uma questão crítica no cenário eleitoral de 2026: a fronteira entre o legítimo direito de defesa de um homem público e a tentativa sistemática de sufocar o jornalismo independente através do assédio jurídico. Enquanto os fatos seguem sob análise dos órgãos competentes, a cobrança por transparência e a garantia da liberdade de expressão permanecem como pilares inegociáveis para o processo democrático.


