O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) de Alagoas registrou um aumento de 12,65% no número de atendimentos a gestantes e parturientes entre 2024 e 2025. Enquanto que em 2024 foram 727 casos em todo o estado, no ano passado o número saltou para 819 ocorrências. Os dados revelam uma demanda crescente por atendimento obstétrico de urgência em Alagoas.

Na Central do Samu Maceió, os atendimentos passaram de 479 em 2024 para 515 em 2025. Já na regional de Arapiraca, o aumento foi ainda mais significativo: de 248 para 304 ocorrências no mesmo intervalo. Apenas nos primeiros dois meses de 2026, já foram registrados 59 casos – 31 na capital e 28 em Arapiraca –, indicando que a tendência de crescimento deve se manter ao longo do ano.
Os atendimentos obstétricos realizados pelo Samu englobam ocorrências como “dor de parto” – caracterizada por contrações rítmicas e progressivas do útero, dilatação do colo do útero e, frequentemente, ruptura da bolsa amniótica – e parto prematuro, que ocorre antes da 37ª semana de gestação, exigindo cuidados especializados devido à imaturidade dos órgãos do bebê. Outros casos relacionados incluem hemorragias, pré-eclâmpsia (pressão alta durante a gestação), eclâmpsia (convulsões), descolamento prematuro de placenta e sofrimento fetal agudo.
O que o Samu deve atender
De acordo com a Portaria GM/MS nº 2048, de 5 de novembro de 2002, que regulamenta o atendimento das urgências e emergências no país, o Samu é obrigado a atender todas as situações que envolvam risco iminente à vida da gestante ou do bebê. Isso inclui trabalho de parto ativo com complicações, hemorragias graves, crise hipertensiva, convulsões, parada cardiorrespiratória, sofrimento fetal agudo e partos que estejam ocorrendo de forma iminente em locais inadequados, como vias públicas ou residências sem condições de segurança.
O que o Samu não deve ser acionado
A mesma portaria estabelece que o Samu não é obrigado a realizar transporte eletivo de gestantes para consultas de rotina ou exames, nem deve ser acionado apenas como meio de locomoção até a maternidade quando não há situação de urgência ou emergência. O coordenador-geral do Samu Alagoas, médico Mac Douglas de Oliveira Lima, faz um alerta à população. “Muitas vezes, o Samu é acionado apenas para levar a mulher à maternidade, o que não é uma assistência obrigatória do serviço. O Samu não deve ser uma espécie de transporte, tipo Uber. Nossa missão é atender exclusivamente os casos complexos em que a gestante ou parturiente está em risco, seja pela urgência ou emergência da situação”.
Pré-natal é fundamental
O coordenador destaca ainda a importância do acompanhamento pré-natal para que a mulher possa se submeter a um parto sem intercorrências clínicas complexas. “O pré-natal adequado identifica precocemente fatores de risco, permite o tratamento de condições como hipertensão e diabetes gestacional e garante que a gestante seja encaminhada para a maternidade de referência no momento correto. Quando a mulher não faz esse acompanhamento, aumentam significativamente as chances de complicações que exigem intervenção de urgência. Nossos profissionais do Samu estão aptos para realizar esses atendimentos quando necessário, mas o ideal é que eles não precisem acontecer”, afirmou Mac Douglas.
Responsabilidades definidas em portaria
O médico socorrista do Samu, Augusto Fontan, explica detalhadamente quais casos são de responsabilidade do serviço e quais não são, com base na Portaria 2048. “São de nossa competência às urgências e emergências obstétricas: trabalho de parto com sofrimento fetal, pré-eclâmpsia, eclâmpsia, hemorragias da gestação, abortamentos em curso com hemorragia, intercorrências clínicas graves em gestantes e partos iminentes em locais inadequados”, diz.
“Nestes casos, a equipe está preparada para realizar desde o parto humanizado até procedimentos avançados de suporte à vida. Já as situações que não são de responsabilidade do Samu incluem o transporte para consultas agendadas, exames de rotina, ida para maternidade em trabalho de parto não iminente e sem fatores de risco, e qualquer situação que não caracterize urgência ou emergência”, esclareceu Fontan.
Dicas para uma gestação segura
Para evitar que o parto aconteça de forma inesperada e sem acompanhamento adequado, especialistas recomendam que as gestantes sigam algumas orientações durante toda a gestação:
-Inicie o pré-natal precocemente, assim que confirmar a gravidez, e compareça a todas as consultas.
-Realize todos os exames solicitados pelo médico, incluindo ultrassonografias e testes laboratoriais.
-Mantenha uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes e proteínas magras.
-Pratique atividades físicas leves conforme orientação médica, como caminhadas e alongamentos.
-Evite automedicação – qualquer medicamento só deve ser tomado com prescrição médica.
-Conheça os sinais de trabalho de parto: contrações regulares, perda do tampão mucoso e ruptura da bolsa.
-Tenha a maternidade de referência definida antes do último mês de gestação.
-Mantenha os documentos e exames sempre organizados para levar no dia do parto.
-Evite viagens longas no final da gestação sem autorização médica.
-Anote o número do Samu (192) em local visível, mas utilize apenas em situações reais de urgência e emergência.







